O CONFLITO ENTRE MOVIMENTO LGBT E O CONSERVADORISMO

 

Contribuições da sociologia para a leitura crítica da sociedade contemporânea e o desenvolvimento de ações ministeriais da igreja

CARLOS EDUARDO FELIPE DE OLIVEIRA

 

 

 

É interessante vermos nos tempos atuais a força que o movimento LGBT tem sobre a nossa sociedade e cultura, se firmando como um movimento social com pessoas ligadas a mesma pauta,  impondo a sua visão de mundo, tentando muitas vezes a força enquadrar a forma de pensamento das diversas áreas da sociedade. Ela adentrou os partidos políticos, as empresas, passeatas, escolas e agora por fim ganhando até espaços na igreja cristã. Não a toa o número de casais vem aumentando, em 2012 segundo a revista Exame (EXAME, 2012) haviam 60 mil casais que se afirmavam como sendo casais homoafetivos dentre eles 47,4% católicos e mulheres 53%. O número que segundo a sociedade brasileira (quase 200 milhões de pessoas) é ínfimo e quase insignificante, mas que encontrou forte apoio nas políticas de esquerda que se apoiam nas minorias para fazer suas leis para maioria, mas que hoje vem ganhando muita exposição por ter apoio politico-governamental e de várias camadas da sociedade, a ideia é fazer uma mistura de muitas pautas para ganhar adeptos de pequenos setores, construindo uma miscelânia de argumentos que por vezes se chocam. Nesse mês de junho passado tivemos diversos países europeus e na américa uma afluência política, um desfile, uma demonstração de poder do movimento que nunca foi tão poderoso. Começou minúsculo e hoje angaria corações porque diz que no LGBT "você pode ser tudo o que você quiser", mas pode mesmo ? Deixemos para depois.

Mas foi muito antes disso que as políticas LGBT como movimento já apareciam na nossa sociedade, as famosas paradas gays da paulista que se formaram desde de 1997 e que começou com 2 mil participantes e já teve até 4 milhões em 2011 (MEMORIAL DA DEMOCRACIA, 2006), fez com que as pessoas da sociedade principalmente as que davam algum apoio aos partidos de esquerda começassem a apoiar que a união homossexual e o casamento gay deveriam ser aceitos pela sociedade como maior expressão de liberdade incondicional humana. Nos últimos anos os casamentos homoafetivos vêm mantendo uma média de 9-15 mil ao ano e o número de casais que assumem relação já deve ter ultrapassado os 100 mil segundo os dados registrados no portal Globo. (CESAR, 2021)

 

O atual movimento LGBT causaria inveja em Karl Marx com certeza pela expressão que esse movimento causou na sociedade, conforme vemos no guia de estudos, Karl Marx entendia que o conflito entre classes era a ideia de como trazer a revolução para a sociedade. "Segundo o marxismo, a luta de classes é o motor da história, o que significa dizer que mudanças econômicas e políticas significativas só ocorrem por meio do conflito entre classes sociais antagônicas" (FERREIRA, 2020, pág. 21). E é esse o momento que vivemos atualmente. Com defensores da pauta LGBT entrando em conflito com os conservadores que defendem que o tipo de relação heterossexual deve ser o padrão para a sociedade e que as crianças devem ser deixadas de lado nessa disputa. O discurso conservador para a movimento LGBT esconde em si um caráter homofóbico, para eles, essas pessoas, odeiam e perseguem a comunidade LGBT e devem ser combatidos. Esse é um tipo de conflito que não irá ter fim, que chama a atenção da mídia e que é que com certeza Karl Marx almejava com sua revolução do proletariado.

O contra movimento LGBT hoje tem como figuras de maior expressão atualmente: Jair Messias Bolsonaro (ex-presidente do Brasil entre os anos de 2018-2022) e Silas Malafaia pastor presidente das assembleias de Deus Vitória em Cristo, que se usam dos valores moralistas para absorver simpatizantes do conservadorismo e que expressam duras críticas ao movimento. Isabelle Barone explica muito bem como Jair Messias Bolsonaro ficou famoso por expressar suas indignações contra a comunidade LGBT e também sobre o "Kit Gay" (BARONE, 2020). O "Kit Gay" chegou a ser discutido na câmara nacional para ser divulgado para crianças nas escolas públicas através do MEC no governo do Partido dos trabalhadores, e era um incentivo para que as crianças considerassem a escolha sexual e familiar entre dois homens ou duas mulheres algo possível e normal. O escândalo que parou o pais, questionou até onde o governo petista iria tentando converter as crianças a aceitação e escolha sexual induzida que eles poderiam fazer quando estivessem maiores. Isso gerou um colapso na cabeça de alguns adolescentes que agora não sabem o que são. Jair Bolsonaro ficou famoso aparecendo nas previas da eleições de 2018 sinalizando o KIT gay e trazendo no jornal os materiais utilizados durante o mandato de Dilma Roussef (também ex-presidente do Brasil).

 

 

 

 

MAS E A IGREJA COMO FICA ?

 

Do ponto de vista atual o que vemos é que o movimento LGBT encontra cada vez mais apoio da comunidade e vem ganhando força nas esferas políticas e na sociedade como um todo, levando a elaboração de leis que se chocam com valores tradicionais ligados a religião e a fé. A busca por legalizar o casamento gay ou de permitir esse tipo de relação não parou por ai e hoje ganha outras esferas, até no ensino de ideologia de gênero para as crianças algo que causou espanto na nossa sociedade atual, ela toma força na formação acadêmica de muitos cursos teológicos e filosóficos hoje, fazendo com que padres e pastores sejam adeptos a uma forma mais liberal de aceitação entre casais homoafetivos, forçados a desconsiderar suas opiniões do que eles chamam "patriarcais" e "ortodoxas". Pastores famosos já tem celebrado casamentos e dito que não saberiam o que fazer caso algum membro  queira se casar com um outro do mesmo sexo.

 

A Bíblia é manual de fé e pratica cristão, e existe um extenso conteúdo do que a vontade de Deus para o ser humano, se nós de alguma forma relativizarmos algo que é muito bem descrito nas escrituras será que estaríamos fazendo o bem ? Estaríamos defendendo a fé ? Ou estaríamos arruinando a possibilidade de pessoas encontrarem a esperança em Cristo ?  Bom o resultado de igrejas que negligenciam as escrituras é devastador, algumas poucas sobrevivem mas não é possível ver grandes frutos de conversão no seu meio.

Em termos de fé e religião as igrejas católicas e evangélicas cada dia mais sofrem pressão da comunidade para entrar na pauta LGBT e formalizar apoio a essa comunidade. Em termos práticos a igreja cristã não pode ser partidária, ter ódio ou ser defensora da homofobia, mas tem que se apresentar como agentes de cura e transformação propondo um novo e vivo caminho possível através da Cruz de Cristo e da Autonegação. Mas também devemos nos posicionar a respeito de como entendemos o relacionamento agradável a Deus e como o relacionamento com o Espírito Santo pode transformar vidas através do arrependimento. Evangelho é arrependimento, sobretudo de olhar a si mesmo e vermos que nos afastamos da vontade de Deus em nossas vidas, e só Cristo e sua verdade podem nos direcionar para o proposito correto. Só em Jesus há esperança para o caído.

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

FERREIRA, Valdinei Aparecido. Sociologia. São Paulo: Fundação Eduardo Carlos Pereira, 2020.

IBGE identifica 60 mil casais gays no país. Disponível em: https://exame.com/brasil/ibge-identifica-60-mil-casais-gays-no-pais/>. Acesso em: 02 de mai. de 2022.

Parada LGBT vai para o Guiness. Disponível em: < http://memorialdademocracia.com.br/card/parada-lgbt-de-sp-no-guiness-book#:~:text=A%2010%C2%AA%20Parada%20do%20Orgulho,na%20avenida%20Paulista%20desde%201997.>. Acesso em: 02 de mai. de 2022.

CAESAR, Gabriela. 10 anos após decisão do STF, número de casamentos gays deve bater recorde neste ano. Disponível em: <https://g1.globo.com/pop-arte/diversidade/noticia/2021/11/19/10-anos-apos-decisao-do-stf-numero-de-casamentos-gays-deve-bater-recorde-neste-ano.ghtml>. Acesso em: 02 de mai. de 2022.

BARONE, ISABELLE. Contra kit gay e doutrinação: Bolsonaro na Comissão de Educação. Disponível em: <https://www.gazetadopovo.com.br/educacao/kit-gay-e-doutrinacao-a-breve-atuacao-de-bolsonaro-na-comissao-de-educacao-relembre/>. Acesso em: 02 de mai. de 2022.